Algaci Ormário Tulio nasceu em 8 de dezembro de 1940 em Rio Branco do Sul, no Paraná, filho de descendentes de italianos que mais tarde se mudaram para Curitiba em busca de melhores condições de vida, instalando-se no bairro do Ahú. Desde jovem, Algaci trabalhou duro: aos catorze anos, era atendente em uma casa lotérica enquanto estudava no Colégio Iguaçu. Em 1958, serviu no 20º Regimento de Infantaria, no bairro do Bacacheri, e depois iniciou estudos em ciências contábeis pela Universidade Plácido e Silva. Mas seria no rádio que ele encontraria seu verdadeiro chamado.
Algaci começou no rádio aos dezesseis anos, como colaborador da Rádio Marumby. Em 1965, tornou-se repórter policial no programa "Revista Matinal", na Rádio RB2. Ao longo das décadas seguintes, passou pelas rádios Cultura, Universo, Independência e Clube Paranaense, construindo uma reputação de comunicador ágil e incisivo. Também atuou na televisão, passando pelo Canal 12 e pelo Canal 06, da família Martinez, antes de ser contratado pelo canal do ex-governador Paulo Pimentel. Cobriu ainda, por muitos anos, jornais impressos como O Estado do Paraná e o Diário do Paraná.
Algaci Tulio entrou para a história do jornalismo brasileiro em 1974, quando realizou a primeira transmissão ao vivo de um julgamento no país, ocorrida no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná — façanha técnica e editorial que antecipou práticas que só se tornariam comuns décadas depois. Em 1979, cobriu o polêmico julgamento de Doca Street em Cabo Frio, acusado de assassinar a socialite Ângela Diniz, caso que mobilizou o país inteiro. Também esteve presente no sepultamento do ex-presidente Tancredo Neves, em Minas Gerais, em 1985. Em 1984, publicou em parceria com a advogada Isabel Kugler Mendes o livro de crônicas "Algaci Tulio — O Outro Lado".
Sua popularidade como comunicador foi tão grande que o antigo governador Ney Braga e o então deputado estadual Erondy Silvério o convidaram a candidatar-se a vereador de Curitiba pelo PDS. Nas eleições de 1982, Algaci foi o vereador mais votado da capital paranaense, com cerca de 12 mil votos. Uma de suas primeiras bandeiras no legislativo municipal foi a extinção da aposentadoria dos parlamentares — postura que repetiria também na Assembleia Legislativa anos depois. Em 1986, deixou a Câmara Municipal para assumir um mandato de deputado estadual, conquistado com quase 33 mil votos, desta vez pelo PDT, partido pelo qual se tornaria figura de destaque.
A cena política de Curitiba nas eleições municipais de 1988 foi um capítulo à parte na trajetória de Algaci. Com o quadro polarizado entre o PMDB e os demais partidos, o PDT queria lançar o ex-prefeito Jaime Lerner, mas Lerner havia transferido seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro e enfrentava obstáculos legais. Algaci Tulio então se candidatou à prefeitura pelo PDT. A situação deu uma guinada dramática quando um recurso no Tribunal Superior Eleitoral foi favorável a Lerner, permitindo sua candidatura. Com apenas doze dias antes do pleito, Algaci renunciou à candidatura a prefeito e aceitou compor a chapa como vice. A jogada foi certeira: sem tempo para desgaste, a dupla Lerner-Tulio obteve 57% dos votos válidos, vencendo confortavelmente.
Graças a uma disposição transitória da Constituição Federal, Algaci pôde acumular os mandatos de vice-prefeito e de deputado estadual simultaneamente, privilégio que compartilhou com outros políticos do período. Na Assembleia Legislativa, teve papel ativo na elaboração da Constituição do Paraná de 1989, atuando como Quarto Secretário da Casa. Exerceu dois mandatos como vice-prefeito de Curitiba e quatro mandatos como deputado estadual, além de ser secretário municipal e depois secretário para assuntos da Copa do Mundo FIFA de 2014, cargo que ocupou num momento crucial para as obras e a organização da cidade-sede.
Algaci Tulio morreu em 13 de janeiro de 2021, em Curitiba, aos 80 anos. Sua trajetória unía dois mundos raramente tão entrelaçados: o da comunicação popular, onde forjou sua identidade pública, e o da política institucional, onde usou essa mesma identidade para conquistar mandatos e defender causas. Jornalista que se tornou político sem deixar de ser jornalista, ele encarna um tipo de figura pública que moldou a vida da capital paranaense por décadas, do microfone ao plenário.

