O ano de 2016, grafado como MMXVI na numeração romana, foi um período de grandes transformações, tensões e acontecimentos marcantes ao redor do mundo. Bissexto, ele começou numa sexta-feira segundo o calendário gregoriano, e carregou em suas entranhas eventos que abalaram certezas, derrubaram paradigmas e deixaram marcas profundas na história contemporânea. No horóscopo chinês, foi o Ano do Macaco, iniciado em 8 de fevereiro — e havia algo naquela escolha simbólica que parecia antecipar a imprevisibilidade que o ano reservava.
O Brasil mergulhava naquele início de ano numa crise política de proporções históricas. Em março, manifestações de grande porte varreram as capitais e diversas cidades do país, com cidadãos pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff. A pressão popular alimentava um processo que já estava em curso nos corredores do poder. Em abril, a Câmara dos Deputados votou pela admissibilidade do impeachment, e em maio o Senado Federal confirmou o afastamento temporário de Dilma, abrindo um período de 180 dias sob o comando do vice Michel Temer. A crise deixava marcas profundas nas instituições e na sociedade brasileira.
No plano internacional, o ano foi igualmente turbulento. Em janeiro, um atentado em Istambul matou onze pessoas, e poucos dias depois, novos ataques em Jacarta resultaram em mais dezessete mortes. Em março, explosões no aeroporto e no metrô de Bruxelas causaram 35 mortos e cerca de 300 feridos, num episódio que aprofundou o debate sobre segurança na Europa. O terrorismo voltava a dominar manchetes e alterar o cotidiano de cidades antes consideradas símbolo de paz e estabilidade.
Na ciência, 2016 foi um ano de revelações extraordinárias. Em fevereiro, pesquisadores do projeto LIGO anunciaram ter detectado pela primeira vez as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein em sua Teoria da Relatividade Geral, mais de um século antes. A descoberta foi celebrada como um dos maiores avanços científicos das últimas décadas, abrindo uma nova janela de observação do universo. Em maio, a sonda Rosetta confirmou a presença de substâncias relacionadas à origem da vida no cometa 67P, adicionando mais um capítulo ao fascínante debate sobre como a vida pode ter surgido na Terra.
A geopolítica também escreveu capítulos importantes em 2016. Em janeiro, Tsai Ing-wen foi eleita presidente de Taiwan, a primeira mulher a ocupar o cargo na história da ilha — e em maio assumiu formalmente o mandato. Em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito presidente em janeiro. Barack Obama fez uma visita histórica a Cuba em março, o primeiro presidente americano a ir ao país em quase noventa anos. O mundo assistia a movimentos que redefiniam antigas fronteiras políticas e diplomáticas.
No campo do direito internacional e da justiça, decisões emblemáticas marcaram o ano. O ex-presidente sérvio Radovan Karadžić foi condenado a 40 anos de prisão em março pelos crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia, incluindo o Massacre de Srebrenica. No Senegal, o ex-ditador do Chade Hissène Habré foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade — a primeira condenação do tipo em que um tribunal africano julgou um ex-chefe de Estado. E Jean-Pierre Bemba, ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, foi condenado por crimes de guerra e contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.
O universo da cultura e do entretenimento também foi palco de acontecimentos memoráveis. Em fevereiro, o Papa Francisco e o patriarca russo Cirilo realizaram o primeiro encontro entre líderes das igrejas Católica e Ortodoxa desde o Grande Cisma de 1054 — um marco histórico nas relações entre as duas maiores tradições cristãs. Em maio, o Real Madrid conquistou a Liga dos Campeões da UEFA. E a morte do gorila Harambe no Zoológico de Cincinnati, após um menino de quatro anos cair em seu recinto, gerou uma onda de indignação e debate globais sobre os limites entre preservação animal e segurança humana.
No Brasil, 2016 marcou também o início da transição do sinal televisivo analógico para o digital, com Rio Verde, em Goiás, sendo o município piloto. O Acordo Ortográfico de 1990 entrou em vigor definitivamente após anos de período de transição. E a capital paraense, Belém, completou 400 anos de história em janeiro. Era um ano que celebrava e chorava ao mesmo tempo, abrindo e fechando portas de uma forma que poucos poderiam ter antecipado no primeiro dia de janeiro.

